Por Davi Caldas

Alguns adventistas estão dizendo que agora, com Donald Trump eleito presidente dos EUA, a grande perseguição final se iniciará e o mundo chegará ao seu fim. Menos, muito menos, gente. A verdade é que a vitória de Trump até o momento não garante nada quanto aos eventos finais desta Terra. Sabemos que o fim virá. É profecia. Mas analise: Trump é um homem antiglobalismo. Não se dá bem com a ONU. Provavelmente despreza a União Europeia. Mantém relações meramente formais com o Papa. Seu grande interesse desde sempre é, como dizia o lema de sua campanha, “Fazer a América Grande de Novo”. É um protecionista econômico que deseja proteger os empregos dos americanos mais pobres, impedir a imigração ilegal e rever alguns acordos econômicos internacionais que estão dando prejuízo. Não é nenhum grande líder engajado numa união mundial, nenhum porta-voz do ecumenismo, nenhum ambientalista clamando por uma legislação comum entre os países para salvar a terra. Não é um grande católico, nem um grande protestante, nem um grande amigo do Vaticano.

Tudo isso pode mudar? Pode. Mas a verdade é que, no momento, Trump não tem o perfil de um globalista que unirá o mundo todo em torno de uma agenda. Não tem mesmo. Muito pelo contrário. Aliás, para unir o mundo todo seria necessário o apoio da mídia, o que, definitivamente Trump não tem. A mídia inteira dos EUA estava contra ele nas eleições. Não só a mídia dos EUA, mas a do mundo. Aqui no Brasil então, isso ficou mais que claro. A galera do Globo News quase infartou com a vitória dele. Trump é um homem politicamente incorreto, grosseirão e que vai totalmente no caminho oposto da mídia, embebida de progressismo. Para que ele consiga se transformar em um líder carismático e internacionalmente influente, forte e conciliador, realmente ele terá que mudar muito e fazer um governo excelente. Não é fácil. Em quatro anos, então…

Por outro lado, Hillary Clinton tem muito mais o perfil de uma líder globalista. Mantém boas relações com a ONU, é favorável a União Europeia, defende o multiculturalismo, tem o apoio de vários grandes grupos financeiros, tem o apoio da mídia mundial e pretendia, conforme revelou o site Wikileaks, promover um diálogo mais íntimo com o Vaticano. O Papa, por sua vez, possui muito mais simpatia por Hillary do que por Trump. Aliás, vale ressaltar que o Papa Francisco é um tanto progressista para os moldes da Igreja Católica. Os próprios católicos reconhecem isso.

Não podemos prever como será o governo de Donald Trump, muito menos qual será a sua relação com os eventos finais dessa Terra. Mas pela atual conjuntura acreditamos que não virá das mãos de Trump os decretos derradeiros de perseguição do povo de Deus. Talvez seja um governo de preparação. Pode ser que a economia vá mal em sua gestão, os EUA passem por graves problemas e isso faça emergir um próximo governante com as características globalistas necessárias para conduzir os EUA e o mundo numa só direção. Pode ser também que ele faça um ótimo governo, consiga de fato “fazer a América grande de novo” e o próximo presidente (talvez um globalista) terá nas mãos um país-modelo para o mundo. Não sabemos. São suposições.

O que não podemos fazer, de forma alguma, é interpretar Trump como o “Líder da Besta” apenas porque ele parece ser prepotente e a mídia o chama de xenofóbico, machista, racista, extremista e etc. Ser prepotente não é suficiente para alguém se tornar um líder capaz de infringir perseguição ao povo de Deus. Ademais, como já dissemos, a mídia é toda contra o Trump. Confiar nela para fazer projeções sobre o fim é, no mínimo, ingênuo. A mídia chama Trump de xenófobo sem evidências sólidas, apenas porque ele pretende proteger o seu país, que é o mais visado do mundo. Marine Le Pen, na França também é chamada de xenófoba pela mesma razão. Aliás, vale lembrar que quem começou a construir o muro na fronteira do México foi… Bill Clinton. Isso mesmo. Marido de Hillary e que presidiu os EUA de 1993 a 2001.

A mídia chama Trump de machista porque descobriu-se que ele faz piadas sujas e conta vantagem sobre mulheres em conversas conversas privadas com amigos homens. Embora isso seja lastimável (e, como cristãos adventistas, repudiamos isso), mas isso é exatamente o que fazem 99% dos homens que não são cristãos (ou que são, mas não levam todos os princípios à sério). Os jornalistas que compõem a grande mídia e reclamam disso, certamente já tiveram conversas semelhantes, sobretudo na faculdade. Longe de querermos justificar os atos de Trump, mas a reclamação da mídia é, no mínimo, hipócrita.

Em tempo, Bill Clinton (ele de novo) já esteve envolvido em muitos casos extraconjugais, dos quais o mais famoso foi com a sua secretária Monica Lewinsky. E Hillary Clinton, reconhecidamente, acobertou casos de assédio do seu marido a outras mulheres, bem como, quando ainda advogava, já defendeu um estuprador que ela sabia ser culpado. Mas para queimar Trump, parece valer à pena o uso de “dois pesos, duas medidas”.

A mesma mídia chama Trump de fascista só porque ele não é de esquerda; de racista porque é um branco de direita; de elitista porque é bilionário (a mesma coisa que fazem com João Dória aqui no Brasil); de intolerante porque é grosso e politicamente incorreto. E se irrita com sua suposta prepotência apenas porque ele não é de esquerda.

Basear nossas interpretações proféticas nos xingamentos sem sentido lançados pela mídia não é fazer boa teologia. Ora, uma coisa é não gostar de Trump, não concordar com suas ideias e maneira de ser. É legítimo. Outra coisa é se basear em mentiras e exageros para transformá-lo em um potencial perseguidor. Isso não é uma atitude honesta (ou inteligente).

Se Trump realmente vir a alcançar características globalistas que o tornem uma figura importante na imposição de uma agenda mundial, então sim, poderemos começar a enxergá-lo como o provável líder da besta. Mas, por ora, isso permanece como uma suposição sem qualquer indício sólido.

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