Jud Lake

Tradução: Reginaldo Castro 

Os Adventistas do Sétimo Dia violam o princípio essencialmente protestante da Sola Scriptura ao possuírem duas autoridades – a Bíblia e os escritos de Ellen White?

Objetores da inspiração de Ellen White afirmam que, embora suas declarações sobre a relação de seus escritos com a Bíblia possam “dar a aparência de ortodoxia” a verdade é que ela, “ao afirmar que seus escritos são autoritativos, anula a Sola Scriptura – um ensino da Reforma Protestante”.[2] As declarações abaixo são tidas como exemplos dessa afirmação de autoridade:

“Deus não designou homem algum para proferir juízos sobre Sua Palavra, escolhendo umas coisas como inspiradas e desacreditando outras como não inspiradas. Os testemunhos têm sido tratados da mesma maneira; mas Deus não está nisto.”[3]

“O Espírito Santo é o autor das Escrituras e do Espírito de Profecia.“[4]

“Quando lhes envio um testemunho de advertência e reprovação, muitos de vocês declaram ser ele simplesmente a opinião da irmã White. Assim procedendo, vocês têm insultado o Espírito de Deus. Vocês sabem como o Senhor Se tem manifestado por meio do Espírito de Profecia. Passado, presente e futuro têm passado perante mim.”[5]

“Se perder a confiança nos testemunhos, cairá das verdades da Bíblia.”[6]

“O último engano de Satanás será tornar sem efeito o testemunho do Espírito de Deus.”[7]

“Nos tempos antigos, Deus falou aos homens pela boca de profetas e apóstolos. Nestes dias, Ele lhes fala por meio dos testemunhos do Seu Espírito. Nunca houve um tempo no qual Deus instruísse Seu povo mais intensamente do que os instrui agora a respeito de Sua vontade e da conduta que deseja que sigam.”[8]

Com base nessas declarações, os críticos acreditam que a afirmação de Ellen White de que a Bíblia é a fonte final de autoridade é uma “pseudoafirmação.” Ao “fazer afirmações diretas ou indiretas sobre a natureza autoritativa de seus escritos, Ellen White cautelosamente atribuiu a sua obra uma aura de autoridade” e “insuflou o temor nos corações de seus seguidores insistindo que suas palavras vinham de Deus e que deviam ser ouvidas.” Neste sentido, portanto, os detratores alegam que os adventistas possuem “duas autoridades.”[9] Ou, como colocou Canright, “A Bíblia e a Bíblia somente, não é o credo dos Adventistas do Sétimo Dia. É a Bíblia e algo mais; é a Bíblia e os escritos da Sra. White” (ênfase no original).[10]

Uma outra forma pela qual esse argumento das duas autoridades se apresenta é por meio da Declaração de Crenças Fundamentais da Igreja. Dale Ratzlaff, por exemplo, faz referência à Crença Fundamental número 18:

“O Dom de Profecia,” a qual diz: “um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Esse dom é uma característica da igreja remanescente e nós cremos que ele foi manifestado no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e autoritativa fonte de verdade que proveem consolo, orientação, instrução e correção para a igreja. Eles também tornam claro que a Bíblia é a norma pela qual deve ser provado todo ensino e experiência. (Joel 2:28, 29; At 2:14–21; Heb. 1:1–3; Apoc. 12:17; 19:10).”

Ratzlaff afirmou que “o erro fundamental da Igreja Adventista  é a crença de que os escritos de Ellen White”, da forma como se encontra nesta Crença Fundamental, “são uma contínua e autoritativa fonte de verdade.” Ele argumenta que “os adventistas acreditam que os escritos de Ellen White são inspirados no mesmo nível que a Bíblia.” A implicação de seu argumento, é claro, é que pelo fato de os adventistas crerem que os escritos de Ellen White possuem o mesmo nível de inspiração que a Bíblia, logo, os escritos dela possuem também a mesma autoridade que a Bíblia.[11] Russel Earl Kelly, autor de Exposing Seventh-day Adventism, expressou esse argumento de uma forma mais clara: “Os adventistas do sétimo dia creem que Ellen White foi inspirada por Deus exatamente da mesma maneira que o foram os profetas bíblicos, e, assim sendo, seus escritos são tão autoritativos e inerrantes como o são as Escrituras.”[12]

Na metade do século XX, Norman Douty argumentou em seu livro Another Look at Seventh-day Adventism que o conceito adventista de duas autoridades é inconsistente e ilógico. Após concluir que os adventistas igualam a inspiração de Ellen White com a da Bíblia e de citar vários autores adventistas como evidência, ele escreveu: 

“Não é evidente, então, que ao aceitar as declarações da Sra. White acerca de sua inspiração e ao fazer essas afirmações como as que acabamos de citar, o Adventismo do Sétimo Dia praticamente iguala os escritos dela com as Escrituras? Não é, portanto, extremamente inconsistente para os adventistas negarem que os escritos de Ellen White estão em pé de igualdade com as Escrituras? Uma posição ou outra tem de ser renunciada:  ou as fortes afirmações sobre seu dom, ou a forte negação de que seus escritos estão no mesmo nível que a Bíblia. É logicamente impossível sustentar as duas posições, pois elas são diametralmente opostas uma à outra. O adventismo deve fazer uma escolha, e qualquer que seja ela, custará caro. Ele precisa decidir entre Ellen White não ser inspirada e Ellen White está no mesmo nível que a Bíblia.”[13]

Ratzlaff, Kelly, e Douty partem da mesma premissa: se os escritos de Ellen White são inspirados tanto quanto os escritores da Bíblia, sua autoridade é igual à dos escritores bíblicos e, portanto, encontram-se no mesmo nível das Escrituras. Se isso for verdade, os adventistas são inconsistentes quando, como argumentou Douty, “negam que as obras de Ellen White estão em pé de igualdade com as Escrituras.”

O problema com o argumento de Douty é que ele criou um falso dilema ao limitar a questão a uma de apenas duas escolhas: “Ellen White não ser inspirada e Ellen White está no mesmo nível que a Bíblia.” Há uma terceira opção que ele deixou de reconhecer: A inspiração de Ellen White é igual a dos escritores bíblicos, mas sua autoridade profética é limitada, devido à natureza da relação de seus escritos com a Bíblia.

A acusação das “duas autoridades” é válida? A resposta requer uma análise de quatro questões: (1) a relação dos escritos de Ellen White com o cânon bíblico, (2) o lugar de Ellen White no esquema de autoridade religiosa, (3) a autoridade de Ellen White no desenvolvimento doutrinário, e (4) o significado das Crenças Fundamentais 1 e 18.

A Relação dos Escritos de Ellen White com o Cânon Bíblico 

A palavra cânon vem do termo hebraico qaneh e da palavra grega kanon, que significa “vara de medir.” O termo acabou adquirindo o sentido de uma regra ou padrão e sendo aplicado às Escrituras Cristãs – o padrão por qual todos os outros escritos religiosos são avaliados ou testados. Assim, o cânon das Escrituras é formado por uma coleção de livros (de Gênesis a Apocalipse) que são divinamente inspirados e, portanto, autoritativos e normativos. Os cristãos consideram o cânon bíblico totalmente suficiente e fechado no sentido de que nada pode ser acrescentado a ele.[14]

O desenvolvimento, a formação e o fechamento do cânon bíblico apresenta uma fascinante narrativa da providência de Deus. Nos dias de Jesus, os limites e divisões do Antigo Testamento já eram conhecidos e compreendidos – ver, por exemplo, Mateus 23:25 e Lucas 24:27, 44, em que Jesus se refere a eles. No processo de estabelecimento da canonicidade dos livros que formam o Novo Testamento, o que se destacou desde o começo foi a natureza autoevidente dos livros. Os primeiros cristãos leram o testemunho original a respeito de Jesus Cristo nos escritos apostólicos e reconheceram a marca da inspiração divina. Ao longo do tempo e mediante a obra da providência divina, esse testemunho apostólico inconfundível foi reconhecido nos vinte e sete livros do Novo Testamento.

A Bíblia é composta por sessenta e seis livros, escritos por pelo menos quarenta autores no transcorrer de um período de aproximadamente mil e quinhentos anos. Aqueles que escreveram os livros da Bíblia sob inspiração são os profetas canônicos. A Bíblia também menciona profetas que não tiveram livros dentro do cânon. Essa lista de profetas não canônicos inclui Miriã, Débora, Hulda, Elias, Eliseu, e Noé no Antigo Testamento, e João Batista, Ágabo, Silas, Ana, as quatro filhas de Filipe no Novo Testamento.[15] Pelo fato de a Escritura não apontar para graus de inspiração, as mensagens desses profetas não foram menos inspiradas do que as dos profetas canônicos (2 Reis 17:13; At 9:10; 13:2; 21:11).[16]

Com relação à autoridade desses profetas não canônicos, portanto, ter a mesma inspiração não significa possuir a mesma autoridade canônica. Isto não quer dizer que as mensagens dos profetas não canônicos não estavam investidas de plena autoridade para as pessoas que as receberam originalmente. Davi, por exemplo, em momento nenhum questionou a autoridade de Natã (2 Sm 12:7-14). Josias também não questionou a autoridade da mensagem de Hulda. (2 Cron 34:23-28). “A autoridade de um profeta reside na sua inspiração; e a autoridade dos escritos do profeta baseia-se no fato de serem inspirados, e não no lugar que ocupam dentro do cânon.”[17] Mas se um arqueólogo encontrasse os escritos de Natã, Gade ou de qualquer outro dos profetas não canônicos, esses escritos não seriam adicionados ao cânon bíblico. Eles não possuem a mesma autoridade que os escritos canônicos. Neste sentido, a autoridade dos profetas não canônicos difere da autoridade canônica, ainda que a qualidade da inspiração permaneça a mesma para todos os profetas.

Um esquema útil para compreender essa diferença de autoridade entre os profetas não canônicos e os escritos canônicos é distinguir entre escopo e função. Primeiro, o escopo da autoridade do profeta não canônico cobria um período de tempo menor e tinha como alvo somente comunidades e indivíduos específicos. O ministério profético de Natã, por exemplo, se limitou ao período de Davi e Salomão, e especificamente se dirigiu a cada um deles em momentos decisivos durante seus respectivos reinados (1 Sam. 12; 2 Sam. 7; 1 Reis 1).

Segundo, a função das mensagens do profeta não canônico era aplicar, intensificar, esclarecer, e ampliar os escritos canônicos, nunca acrescentar novos ensinos doutrinários. Um bom exemplo foi a profetisa Hulda, a quem o rei Josias consultou, em vez de ao profeta contemporâneo Jeremias (cujos escritos posteriormente se tornaram parte do cânon). O conteúdo da revelação divina que ela trouxe foi comunicado em duas profecias: primeira, a predição de que as maldições de Deuteronômio 28 seriam derramadas sobre Israel por causa da idolatria deles (2 Cron 34:24,25) e segunda, uma afirmação divina do arrependimento humilde de Josias e a promessa de um sepultamento tranquilo, em paz (2 Cron 34:26,28).[18] Perceba que as duas profecias eram novas revelações a Josias, mas elas funcionaram como uma aplicação do “livro da lei”, que é canônico (2 Cron 34:14). A mensagem de Hulda a Josias apenas reforçou a mensagem essencial da Escritura já disponível – a saber, punição para a impenitência e recompensa para a obediência. Dessa forma, nenhuma nova verdade doutrinária foi trazida pela revelação dessa profetisa, mas “Deus, por meio do testemunho de Hulda, simplificou as grandes verdades já reveladas.”[19]

Em contraste com os profetas não canônicos, os escritos canônicos não tinham limitações em escopo e função. Isto é, o escopo da autoridade nas Escrituras canônicas era atemporal e universal, concebida para falar a todas as gerações da história humana. Elas funcionavam como a autoritativa e infalível revelação da vontade de Deus para a humanidade e continua sendo “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça (2 Tim 3:16). Como está escrito no importante princípio estabelecido em Apocalipse 22:18,19 (a advertência para não retirar palavras do Apocalipse ou adicionar a ele), nenhum desses livros canônicos jamais podem ser alterados.[20] O cânon bíblico completo é, portanto, o teste final ou a vara que determina o que é verdade divina e o que não é verdade divina em todos os escritos religiosos, inspirados ou não (Isa. 8:20).

 A continuidade do dom profético após o fechamento do cânon bíblico. Não há evidência alguma nas Escrituras de que o dom profético ou qualquer outro dom cessou após o fechamento do cânon.[21] Joel 2:28-32 fala da manifestação do dom profético em associação com o “grande e terrível dia do Senhor” no fim do tempo. Malaquias 4:5,6 fala de um reavivamento da mensagem profética de Elias nos últimos dias. Jesus disse que essa passagem se cumpriu parcialmente em seus dias (Mat 17:10-13), mas o cumprimento final virá no “grande e terrível dia do Senhor” (Mal 4:5)

No Novo Testamento, Jesus advertiu que os falsos profetas estariam em operação durante o tempo do fim (Mat 24:11,24), o que indica que o dom profético autêntico também estaria presente. E Paulo claramente mostrou em vários lugares que os dons, incluindo o dom de profecia, continuaria a guiar e a enriquecer a igreja até o fim do tempo. Os dons são concedidos conforme o Espírito achar adequado “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13). A Escritura, portanto, claramente ensina a continuação dos dons do Espírito Santo até a segunda vinda de Cristo.[22]

Os adventistas defendem que, em Apocalipse 12:17, há significativa evidência para o aparecimento do dom profético no fim do tempo: Aqui estão “os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”. No original grego, a expressão “testemunho de Jesus” significa a mensagem profética vinda de Jesus que pertence ao remanescente no fim do tempo. Ao compararmos Escritura com Escritura, Apocalipse 12:17; 19:10; e 22:8,9 deixam claro que o “testemunho de Jesus” é o “espírito de profecia” – a manifestação do dom profético. Detratores, como Dale Ratzlaff, desafiaram essa interpretação.[23] Mas estudos acadêmicos adventistas autorizam-na, com base em uma meticulosa análise linguística dessas passagens.[24] Consequentemente, concluímos que o dom profético será restaurado antes da segunda vinda de Cristo.

A relação do dom profético pós-canônico com o cânon bíblico. A conclusão a qual chegamos acima, de que o dom de profecia deve funcionar durante o tempo do fim, levanta outra pergunta: Como a autoridade de um profeta pós-canônico se relaciona com a autoridade final do cânon bíblico?

As Escrituras nos dizem como devemos receber o dom pós-canônico. O erudito evangélico Robert Saucy, que possui uma “aberta, mas cautelosa posição” sobre o dom de profecia hoje, sugere quatro critérios bíblicos para avaliar o discurso profético contemporâneo: 1. “Ele precisa estar em total harmonia com a revelação canônica.” 2. “Ele precisa ser julgado cuidadosamente pela comunidade (1 Cor. 14:29).” 3. “O conteúdo da profecia deve ser edificante para a comunidade (1 Cor 14:3,4).” 4. “A profecia precisa também ser dada de uma forma organizada, segundo as instruções do apóstolo aos coríntios (1 Cor.  14:19-33).”[25]

1 Tessalonicenses 5:19-22, uma passagem muito importante sobre receber o dom pós-canônico, diz: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal.” Em outras palavras, Paulo disse para os crentes não limitarem a atividade profética do Espírito. Não desprezem as declarações proféticas, ele ordenou, mas ouçam-nas e “examinai tudo”, retende “o bem” e se abstenha “de toda a aparência do mal.” Em meio às muitas manifestações proféticas na igreja primitiva, Paulo deu aos crentes de Tessalônica um conselho atemporal sobre como lidar com a manifestação desse dom. Sempre que o dom de profecia se manifestar nos dias de hoje, ele deve ser testado – criteriosamente avaliado e demonstrado ser verdadeiro ou falso.[26]

Em 1 Tessalonicenses 5, Paulo não fornece nenhum critério para testar a profecia,[27] mas em sua segunda carta ao Tessalonicenses, ele chamou a atenção dos crentes para que mantivessem em mente em todo tempo o ensino apostólico inspirado que eles já haviam recebido (2 Tes 2:15). Além disso, seu conselho a Timóteo concernente à Escritura foi relevante: “Toda Escritura,” ele disse, deveria ser usada “para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça (2 Tim 3:16). Essas palavras demonstravam que a Escritura era o padrão final, ou “teste,” para tudo relacionado ao viver cristão e à vida da igreja, incluindo a profecia. Portanto, o critério fundamental para avaliar a manifestação pós-canônica da profecia é o cânon da Escritura.[28]

À luz desse ensino bíblico, a manifestação do dom profético após o fechamento do cânon, contanto que seja uma revelação genuína da parte de Deus, não compromete ou desafia a autoridade do cânon. Ao contrário, a verdadeira profecia pós-canônica se submete a fim de ser testada e avaliada pelo cânon. Ela sempre se harmoniza com o cânon e, como os profetas não canônicos, nunca adiciona novas doutrinas à revelação anterior. “A possibilidade de Deus conceder, segundo Sua vontade, uma revelação profética a Seu povo em circunstâncias específicas,” argumenta Robert Saucy, “não precisa afastar o crente da Escritura como sua fonte de vida espiritual e como padrão de fé e prática.”[29] O dom profético pós-canônico, portanto, conduzirá os crentes ao cânon e os levará a reconhecê-lo como a mais elevada autoridade.

O teólogo adventista Frank Holbrook captou a relação do dom profético pós-canônico com o cânon da Escritura:

Começando com Moisés (décimo quinto século a. C.), as revelações de Deus passaram a ser registradas; ao longo dos séculos, na medida em que Deus julgava necessário, outros profetas registraram as mensagens confiadas a eles a fim de desenvolver a compreensão de Seu povo. Até que por fim, Deus decidiu fazer uma revelação suprema por meio de Seu Filho. Jesus Cristo deu à família humana a maior revelação de Deus possível para o homem receber (Jo 1:18). O Novo Testamento é o testemunho e a interpretação apostólica inspirada de Jesus Cristo e Seu ensino. A vida de Cristo é irrepetível, e também é irrepetível o testemunho que os apóstolos deram a respeito dEle.

“Uma vez que a vida de Cristo na terra e a interpretação apostólica dessa vida proporcionam a revelação suprema de Deus, não pode haver uma manifestação do dom profético subsequente ao Novo Testamento, cuja função venha a se igualar, tomar o lugar, ou ser um acréscimo a esse testemunho apostólico original. Em vez disso, toda reivindicação ao dom profético deve ser testada pelas Escrituras (1 Tess. 5:19–21; 1 Jo 4:1–3; Mat. 7:15–20).”[30]

 

Ellen White, uma profetisa pós-canônica. Os adventistas do sétimo dia concebem a relação dos escritos de Ellen White com a Bíblia nos termos explicitados acima. Ela foi uma profetisa pós-canônica que não representou nenhuma ameaça à integridade do cânon bíblico. Assim como os profetas não canônicos, sua inspiração fora a mesma dos profetas canônicos, mas sua autoridade não fora a mesma da autoridade canônica. Ela exaltava a Bíblia como a autoridade mais elevada e esforçou-se para ampliar, esclarecer, intensificar, e aplicar os ensinos da Escritura.

O Lugar de Ellen White dentro do Esquema da Autoridade Religiosa

Um entendimento acerca do lugar de Ellen White dentro do esquema da autoridade religiosa[31] esclarecerá os limites de seu escopo e função profética. O teólogo evangélico Bernard Ramm forneceu uma discussão proveitosa sobre a autoridade religiosa em seu livro The Pattern of Religious Authority.[32] Ele então apresentou uma taxonomia da autoridade no que se refere ao esquema da revelação divina.

Primeiro, ele afirma, existe a autoridade imperial – “esse poder é exercido por pessoas ou entidades governamentais em virtude da posição superior que ocupam, tal como um rei, um general do exército, um presidente de uma empresa, ou um diretor de escola.[33] Como Criador, Mantenedor e Proprietário de tudo, Deus é a fonte e o centro da autoridade imperial (Sal. 24:1, 2). No esquema cristão da autoridade, segundo Ramm, Deus expressou Sua autoridade mediante Sua autorrevelação.[34] Os cristãos, portanto, honram-nO e obedecem-nO.

Segundo, Ramm explica, existe a autoridade delegada, a qual ele define como “autoridade para agir, compelir, ter acesso a, em virtude do direito concedido pela autoridade imperial.” Tal autoridade “se estabelece pela sua capacidade de indicar sua origem com base na autoridade imperial.”[35] Os profetas e apóstolos demonstravam por visões, sonhos, e ensino que eles falavam por Deus e possuíam autoridade delegada. Os registros que escreveram carregam o mesmo tipo de autoridade.[36]

Terceiro, diz Ramm, tem-se a autoridade por veracidade – “essa autoridade é exercida por homens, livros ou princípios que, ou possuem a verdade, ou auxiliam na determinação dela.”[37] Deus é o Deus da verdade, “o único Deus verdadeiro” (Jo 17:3), e, nessa posição, Ele é a essência da autoridade por veracidade. Os profetas possuíam veracidade porque passaram pelo processo de revelação/inspiração. A Bíblia também possui essa veracidade: “A essência da Tua palavra é a verdade” (Sal 119:160). Ela é intrinsecamente verdadeira em virtude do lugar em que se encontra no esquema da revelação divina e, assim, detém autoridade por veracidade.[38] Por ela ser verdadeira, os cristãos a obedecem.

A Bíblia, como a autoritativa e infalível revelação da vontade de Deus, deriva sua autoridade por veracidade da autoridade delegada dos apóstolos e profetas, os quais, por sua vez, expressavam a autoridade imperial de Deus.[39] Pelo fato de compartilhar a revelação, portanto, a Bíblia “possui autoridade imperial delegada e autoridade por veracidade em todas as questões em que ela pretende ensinar.”[40] Para os cristãos, não há limites para a autoridade da Bíblia; trata-se do documento mais autoritativo da religião cristã, e Deus deseja que aqueles que a recebem também a obedeçam.[41]

Quarto, há também a autoridade por iluminação, ou, como alguns adventistas denominam, autoridade pastoral. Ela consiste na obra iluminadora que o Espírito Santo opera no interior daqueles que sinceramente leem as Escrituras, trazendo-lhes compreensão e levando-os à obediência. Quando os crentes aplicam uma passagem da Escritura em suas vidas, o Espírito Santo atua na fé deles e, assim, compreendem a Palavra externa – as Escrituras. Dessa forma, “a palavra objetiva, a Escritura escrita, em conjunto com a palavra subjetiva, a iluminação e convicção interior do Espírito Santo, constitui a autoridade para o cristão.”[42]

Mas não podemos confundir a obra iluminadora do Espírito Santo na mente do crente com o processo de revelação/inspiração – autoridade delegada e por veracidade – designada somente para os profetas.[43] Diferentemente da autoridade profética, a autoridade por iluminação está disponível a todos os cristãos que se aproximam das Escrituras com mentes e corações abertos. Contudo, há diferentes graus de autoridade por iluminação porque o quanto alguém usufrui dessa autoridade depende do nível de fé que essa pessoa exerce, do discernimento que tem, e da aptidão que possui.

O quinto e último tipo de autoridade relevante para essa discussão é a autoridade profética circunscrita.[44] Esse é o tipo de autoridade que está sujeito a limites, o qual se aplica somente aos profetas não canônicos e pós-canônicos. Os adventistas do sétimo dia acreditam, por exemplo, que Ellen White possuía autoridade delegada e por veracidade, pois experimentava o processo de revelação/inspiração. Porém, essa autoridade profética era circunscrita. A tabela na apresentada no quadro logo mais abaixo ilustra o lugar de Ellen White no esquema da autoridade religiosa.

TABELA: ESQUEMA DE REVELAÇÃO DA AUTORIDADE

 

Deus

Bíblia

Cânon fechado

Profetas canônicos Profetas não canônicos e pós-canônicos  

Cristãos

Autoridade Imperial Deus
Autoridade Delegada Bíblia Profetas
Autoridade por Veracidade  

Deus

 

Bíblia

 

Profetas

 

Autoridade Profética Circunscrita

Profetas não canônicos e pós-canônicos

(Ellen White)

Autoridade por Iluminação  

Cristãos

O leitor deve observar quatro coisas acerca desse quadro. Primeiro, perceba que a autoridade por iluminação (ou autoridade pastoral) difere da autoridade profética circunscrita de Ellen White. Difere também da autoridade delegada e por veracidade baseada na revelação/inspiração pertencente aos profetas. Todos os cristãos podem possuir autoridade por iluminação. É importante destacar que o dom de inspiração não atuava em Ellen White em cada momento de sua vida, então, como outros cristãos, ela também experimentou a autoridade por iluminação.

Segundo, veja que a Bíblia e os profetas canônicos que a escreveram possuíam plena autoridade delegada e por veracidade. Essa parte do quadro demonstra o poder e a verdade da Bíblia como a Palavra de Deus. Nada se equipara a ela em termos de autoridade.

Terceiro, o quadro mostra que os profetas pós-canônicos e não canônicos (incluindo Ellen White) possuem apenas uma autoridade profética circunscrita. Como recipientes da revelação/inspiração, eles possuíam autoridade delegada e por veracidade, mas essa autoridade era circunscrita ou limitada.

Ellen White reivindicava possuir autoridade delegada da parte de Deus: “Em todas as mensagens que você transmitir” a ela foi dito logo no começo de seu ministério profético, “fale como alguém que recebeu uma mensagem diretamente do Senhor. Ele é a tua autoridade”[45] Nas várias vezes em que se comunicou com indivíduos, ela em primeiro lugar apelava para as Escrituras ao relatar suas visões. Se a pessoa não reagisse àquela autoridade (da Bíblia), ela apelava para seu próprio ministério profético. “Meu primeiro dever é apresentar os princípios bíblicos. Então, a menos que tenha sido efetuada decidida e conscienciosa reforma por aqueles cujos casos me foram apresentados, preciso apelar pessoalmente para eles.”[46] Ao falar e escrever com esse senso de incumbência, sua intenção era que suas admoestações fossem obedecidas.

A Escritura fornece o suporte para a autoridade delegada de Ellen White, no entanto, a mantém circunscrita. Isso ilustra o que alguns teólogos adventistas querem dizer quando afirmam que a autoridade de Ellen White deriva da Bíblia. A própria Bíblia fala da continuidade do dom profético até o fim do tempo. Assim, ela possui autoridade delegada derivada da Bíblia porque a base para suas visões e apelos é a Bíblia. Se os escritos de Ellen White não existissem, a Bíblia ainda permaneceria. Mas se a Bíblia fosse retirada do cenário, os escritos de Ellen White perderiam sua função. Não haveria nada para o qual ela pudesse apontar seus leitores e ouvintes.

Os escritos de Ellen White desfrutam também de autoridade por veracidade circunscrita. Seu escritos contêm a verdade porque se baseiam diretamente na Bíblia e procuram aplicar e ampliar suas verdades. Mas as aplicações inspiradas que eles fazem da Escritura não estão no mesmo nível das aplicações que o pastor faz da Bíblia em um sermão. Detentora de autoridade por veracidade e por revelação/inspiração, ela falou a verdade, e essa verdade deve ser obedecida. Mas, como no caso de Hulda, essa verdade consistia de uma aplicação inspirada de um ensino bíblico. A Sra. White experimentou visões proféticas que proporcionaram orientação para a igreja em circunstâncias específicas, mas nenhuma delas compete com a Bíblia como a regra final de fé e prática.

Quarto, o esquema da autoridade religiosa demonstra, conforme está no quadro, a afinidade de Ellen White com os profetas não canônicos. Tal como esses profetas, os limites da autoridade de Ellen White envolvia os aspectos do escopo e da função. Essa abordagem é muito útil para compreender sua autoridade profética circunscrita.

Limitações do escopo de Ellen White. O escopo do ministério profético de Ellen White limitava-se aos Adventistas do Sétimo Dia. J. N. Andrews, considerado o estudioso mais talentoso entre os pioneiros adventistas, assimilou esse conceito quando escreveu que os Adventistas do Sétimo Dia não consideram os dons do Espírito, particularmente o dom profético de Ellen White, um “teste” para o “mundo”. Não tornamos, ele explicou, estes dons um “teste do caráter cristão” em nenhuma de “nossas interações [sociais] com outras corporações religiosas que estão se esforçando para andar no temor de Deus.” Ele explicou: “Sobre nenhuma dessas pessoas nós impomos essas manifestações do Espírito de Deus, nem os testamos com base no que ensinam sobre essa questão.” Mas para aqueles que “se encontram familiarizados com a obra especial do Espírito de Deus, de modo que reconhecerão que a luz que possuem é clara, convincente, e satisfatória […] consideramos que os dons do Espírito constituem claramente um teste.”[47] Essa significativa declaração reflete a compreensão de nossos pioneiros adventistas de que o dom profético de Ellen White era direcionado aos Adventistas do Sétimo Dia, não à comunidade cristã global.

Entretanto, essa delimitação não significa que Ellen White não tem nada a dizer à comunidade cristã em geral. Muitos de seus livros, como Caminho a Cristo e a série Conflito dos Séculos, foram destinados para públicos maiores. No livro O Grande Conflito, por exemplo, a interpretação teológica dada pela autora dos últimos dois mil anos da história da igreja no contexto do grande conflito entre Cristo e Satanás é um relevante paradigma cuja descoberta e apreciação do público cristão em geral se acha ainda no seu início.[48] Ainda assim, seu foco principal era a preparação da Igreja Adventista do Sétimo Dia para a missão de proclamar a mensagem final ao mundo. Nesse sentido, seus escritos focalizavam o último período da história da terra, o que também restringe o escopo de seu ministério em termos de tempo. Ou seja, seus escritos limitaram-se especificamente em preparar um povo para a segunda vinda de Cristo. De modo contrário a essas limitações de escopo, a Bíblia não possui fronteiras de tempo ou de público, e tem sido relevante para todas gerações desde o fechamento do cânon, incluindo a nossa.

Limitações da função de Ellen White. A outra limitação do ministério profético de Ellen White é a que se estabelece em razão de sua função como uma profetisa não canônica. Como demonstrado acima, a relação do dom profético pós-canônico com a Bíblia torna importante a posição cronológica do dom de Ellen White. Esse conceito é a chave para compreender a relação de seus escritos com a Bíblia. “Não pode haver uma manifestação do dom profético subsequente ao Novo Testamento, cuja função venha a se igualar, tomar o lugar, ou ser um acréscimo a esse testemunho apostólico original”[49] (ênfase acrescentada). Por essa razão, os escritos de Ellen White não podem estar no mesmo nível de autoridade da Bíblia, mesmo que a inspiração deles seja qualitativamente a mesma da Palavra de Deus. Inspiração idêntica não significa autoridade canônica idêntica. Após o fechamento do cânon, nenhuma manifestação do dom profético – ainda que tenha se originado a partir de um processo genuíno de revelação/inspiração – pode servir como uma nova regra de fé ou acrescentar qualquer nova doutrina ao cânon. Todas as profecias pós-canônicas divinamente inspiradas se submeterão ao cânon bíblico para serem testadas e exaltarão as Escrituras como a autoridade final em todas questões de fé e prática. Tal foi a natureza do ministério profético de Ellen White. Logo, em sentido algum, os escritos dela violam o princípio da Sola Scriptura da “Bíblia e a Bíblia somente.”[50]

A função específica desses profetas pós-canônicos se define por sua relação com a Escritura:

Sempre que o dom profético pós-canônico se manifesta, sua função será similar a que tinha no tempo dos apóstolos e levará com ele a autoridade do Espírito que fala à igreja por meio dele. Pode-se resumir essa função da seguinte forma: Uma manifestação pós-canônica do dom profético: 1) apontará para as Santas Escrituras como a base de nossa fé e prática; 2) iluminará e esclarecerá os ensinos já presentes na Escritura; 3) aplicará os princípios da Escritura à vida diária; 4) poderá ser um catalisador para dirigir a igreja rumo ao cumprimento de sua comissão dada nas Escrituras; 5) poderá auxiliar no estabelecimento da igreja; 6) reprovará, advertirá, instruirá, encorajará, edificará, e unificará a igreja nas verdades da Escritura ; 7) poderá funcionar para proteger a igreja das doutrinas falsas e confirmar os crentes na verdade.[51]

Vários estudos confirmam que Ellen White exerceu sua função exatamente nesses moldes em relação à Igreja Adventista do Sétimo Dia ao longo dos seus setenta anos de ministério profético.[52]

Certa vez, após dar uma aula sobre esse assunto, um aluno perspicaz me perguntou: “Se a Bíblia possui o maior grau de autoridade e Ellen White um grau menor de autoridade, não há, portanto, degraus de obediência? Isso significa que não temos de obedecer Ellen White no mesmo nível que obedecemos a Bíblia?”

Esse aluno certamente levantou um ponto válido, mas o fato de que há graus de autoridade não significa que há graus correspondentes de obediência. Nas Forças Armadas, por exemplo, o general de um exército possui o mais elevado degrau de autoridade. Quando um oficial inferior, como um tenente, dar uma ordem a um soldado comum, a ordem dada pelo tenente não requer um grau menor de obediência do que se o general tivesse emitido a ordem pessoalmente. O tenente está simplesmente executando as ordens da autoridade de maior patente, o general do exército.

O mesmo raciocínio se aplica ao escritos canônicos e aos escritos pós-canônicos igualmente inspirados. Pelo fato de a autoridade desses escritos residir em sua inspiração, eles requerem plena e igual obediência. Os escritos de Ellen White, por exemplo, constantemente apelam para a Bíblia como a autoridade máxima. Seus apelos e admoestações são aplicações inspiradas da Escritura, sempre conduzindo os leitores de volta à Bíblia. “Se a Bíblia revelasse que as visões não estão em harmonia com ela,” George I. Butler acertadamente argumentou, “a Bíblia permaneceria e as visões deveriam ser abandonadas.”[53] Mas os defensores da Sra. White que examinam meticulosamente a Bíblia nunca encontraram uma admoestação de Ellen White que se choque com as Escrituras. Assim, como uma manifestação pós-canônica do dom profético, Ellen White merece total obediência, mas essa obediência sempre levará a pessoa a uma harmonia com os princípios bíblicos. Nesse sentido, o cânon da Escritura é a autoridade máxima (como o general) e os escritos pós-canônicos de Ellen White a autoridade menor (como o tenente), mas a obediência que se deve prestar a ambos é a mesma.

Em resumo, os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que Ellen White exercia autoridade profética circunscrita, e não a autoridade do cânon da Escritura. Ela era uma “luz menor para guiar homens e mulheres à luz maior” da Escritura.[54] E é quando o Adventismo segue esses conselhos inspirados que ele alcança o seu melhor estado, a despeito das acusações dos críticos.

A Autoridade de Ellen White no Desenvolvimento Doutrinário 

Dois exemplos retirados da história adventista elucidam minha tese de que a experiência de revelação/inspiração vivida por Ellen White foi qualitativamente a mesma dos escritores bíblicos, mas sua autoridade profética não se iguala à das Escrituras. O primeiro exemplo é o papel que suas visões tiveram na formação doutrinária inicial.

Ao refletir sobre as primeiras reuniões do Movimento Adventista, Ellen White identificou o estudo extenso da Bíblia, a oração, e a direta intervenção do Espírito Santo como os fatores decisivos que levaram os pioneiros ao conhecimento da doutrina bíblica: “Naquele tempo, erro após erro procurava forçar entrada entre nós; ministros e doutores introduziam novas doutrinas. Nós investigávamos as Escrituras com muita oração, e o Espírito Santo nos trazia ao espírito a verdade. Por vezes noites inteiras eram consagradas à pesquisa das Escrituras, a pedir fervorosamente a Deus Sua orientação. Grupos de homens e mulheres dedicados se reuniam para esse fim. O poder de Deus vinha sobre mim, e eu era habilitada a definir claramente o que era verdade ou erro.”[55]

O contexto histórico do relato acima é importante. Os pioneiros já haviam passado horas e horas estudando as Escrituras até que chegaram a um impasse. O impasse consistia na tentativa de se introduzir um “erro após erro” bem como “novas doutrinas” – em resumo, confusão. Nesse momento, Ellen White recebeu uma visão e foi “habilitada a definir claramente o que era verdade ou erro” em meio a uma variedade de interpretações confusas. Como Herbert Douglass observou, “ela foi habilitada a ratificar os resultados do estudo bíblico empreendido pelo irmão C, em vez de validar as conclusões dos irmãos A, B ou D.”[56] Experiências como essas trouxeram unidade a esses encontros e libertaram os pioneiros de um atoleiro de discussões e debates intermináveis acerca do significado de certas passagens.

Com base nesse relato, os detratores argumentarão que as visões de Ellen White estabeleceram a doutrina adventista e que ela foi, dessa forma, a pessoa que possuía autoridade final da verdade bíblica. Embora não se possa negar que as visões foram um catalisador nesse processo de formação doutrinária inicial, foi a Bíblia, em última instância, a única fonte das doutrinas. Qual foi a atitude dos pioneiros antes e depois de receberam uma das visões de Ellen White que definiu “o que era verdade ou erro”? Eles examinaram suas Bíblias! Eles entenderam que Ellen White, por suas visões, estava estabelecendo uma uma nova regra de fé e prática, à parte da Bíblia? Dificilmente! Se as visões dela fizeram alguma coisa, foi levar essas pessoas a mergulharem mais profundamente nas Escrituras.

Enquanto as visões forneciam as interpretações da Escritura em pontos cruciais, os pioneiros continuavam estudando, e, no fim das contas, basearam a compreensão doutrinária que obtiveram somente na Escritura. Tiago White, cuja participação foi de grande importância nessas reuniões, argumentou que a Palavra de Deus, e não as visões de sua esposa, estava à frente da igreja. “A Bíblia é uma revelação perfeita e completa. É nossa única regra de fé e prática,” declarou. “Visões verdadeiras são dadas para nos levar a Deus e a Sua Palavra escrita; mas aquelas que são dadas para uma nova regra de fé e prática, separadas da Bíblia, não podem vir de Deus e devem ser rejeitadas.”[57]

Contudo, a experiência de estudo da Bíblia juntamente com a orientação do Espírito Santo constituíram o fundamento da formação doutrinária inicial dos Adventistas do Sétimo Dia. Mas deve-se reconhecer que apesar de o dom profético de Ellen White ter atuado no processo de auxiliar os pioneiros a alcançarem um entendimento do ensino bíblico, nenhuma doutrina sequer da Igreja Adventista nascente – Sábado, Julgamento no Santuário, Imortalidade Condicional, Segunda Vinda, Dons Espirituais, etc. – se estabeleceu a partir de uma visão de Ellen White.[58] As visões serviram para confirmar conclusões bíblicas já alcançadas, levar os pioneiros da confusão a uma correta compreensão das passagens bíblicas, e conduzi-los de volta às porções da Bíblia para serem corrigidos quando estavam em erro. A orientação de Ellen White na formação doutrinária pode ser comparada a uma bússola que apontou a direção correta da verdade bíblica para os pioneiros adventistas. Mas as conclusões finais com respeito a todas as doutrinas foram baseadas exclusivamente nas Escrituras.[59]

O segundo exemplo é a forma como Ellen White lidou com o caso de Albion F. Ballenger, um popular pregador adventista que trabalhou na Inglaterra, País de Gales, e Irlanda. Ballenger concluiu que o entendimento adventista do ministério de Cristo no santuário era antibíblico. Após promover seus pontos de vista, ele acabou sendo demitido do seu trabalho denominacional (em 1905), e, pouco depois, deixou a igreja. Em seguida, escreveu um livro popular chamado Cast Out for the Cause of Christ e editou um periódico antiadventista intitulado The Gathering Call até sua morte em 1921.[60]

Ellen White falou enfaticamente sobre as ideias de Ballenger. Ela apelou para a confirmação profética que lhe foi dada sobre as interpretações bíblicas do início do movimento, declarando que Ballenger estava fazendo aplicações equivocadas das Escrituras.[61] Dale Ratzlaff cita uma dessas declarações sobre Ballenger em seu livro Truth about Adventist “Truth,e a usa como prova de sua tese de que Ellen White colocou suas visões e testemunhos acima do testemunho da Escritura.[62] A declaração de Ellen White usada pelo crítico é a seguinte:

Tenho estado a suplicar ao Senhor força e sabedoria para reproduzir os escritos das testemunhas que foram confirmadas na fé e na primitiva história da mensagem. Depois de passar o tempo em 1844, eles receberam a luz e andaram na luz, e quando os homens que pretendiam possuir novo esclarecimento vinham com suas maravilhosas mensagens acerca de vários pontos da Escritura, tínhamos, pela atuação do Espírito Santo, testemunhos bem definidos, que excluíam a influência de mensagens como as que o Pastor G [A. F. Ballenger] tem devotado o tempo a apresentar. Esse pobre homem tem estado a trabalhar decididamente contra a verdade confirmada pelo Espírito Santo. Quando o poder de Deus testifica daquilo que é verdade, essa verdade deve permanecer para sempre como a verdade. Não deve ser agasalhada nenhuma suposição posterior contrária ao esclarecimento que Deus proporcionou. Surgirão homens com interpretações das Escrituras que para eles são verdade, mas que não o são. Deu-nos Deus a verdade para este tempo como um fundamento para nossa fé. Ele próprio nos ensinou o que é a verdade. Aparecerá um, e ainda outro, com nova iluminação, que contradiz aquela que foi dada por Deus sob a demonstração de Seu Santo Espírito. Vivem ainda alguns que passaram pela experiência obtida quando esta verdade foi firmada. Deus lhes tem benignamente poupado a vida para repetir, e repetir até ao fim da existência a experiência por que passaram da mesma maneira que o fez o apóstolo João até ao termo de sua vida. E os porta-bandeiras que tombaram na morte devem falar mediante a reimpressão de seus escritos. Estou instruída de que, assim, sua voz se deve fazer ouvir. Eles devem dar seu testemunho relativamente ao que constitui a verdade para este tempo. Não devemos receber as palavras dos que vêm com uma mensagem em contradição com os pontos especiais de nossa fé. Eles reúnem uma porção de passagens, e amontoam-na como prova em torno das teorias que afirmam. Isto tem sido repetidamente feito durante os cinquenta anos passados. E se bem que as Escrituras sejam a Palavra de Deus, e devam ser respeitadas, sua aplicação, uma vez que mova uma coluna do fundamento sustentado por Deus estes cinquenta anos, constitui grande erro. Aquele que faz tal aplicação ignora a maravilhosa demonstração do Espírito Santo que deu poder e força às mensagens passadas, vindas ao povo de Deus.[63]

Após citar essa passagem, Ratzlaff chama a atenção para certas expressões e sentenças que enfatizam a autoridade profética de Ellen White, tais como o “poder de Deus” que testifica daquilo “que é verdade”; “Não deve ser agasalhada nenhuma suposição posterior contrária ao esclarecimento que Deus proporcionou”; e “Não devemos receber as palavras dos que vêm com uma mensagem em contradição com os pontos especiais de nossa fé.” Sem dúvida, Ellen White reivindicou sua autoridade profética nessa ocasião relacionada à interpretação de Ballenger da Escritura. Para Ratzlaff, entretanto, essa extensa declaração “demonstra o espírito sectário do Adventismo” em “claramente colocar” os escritos de Ellen White “como uma fonte de verdade acima do testemunho da Escritura, algo que nenhum cristão, pelo menos nenhum cristão protestante, faria!”[64]

No contexto completo do documento, no entanto, Ellen White afirmou a importância da Palavra de Deus. Alguns parágrafos antes do início da citação acima, Ellen White asseverou que “a Palavra de Deus contém a verdade, mas quando essa Palavra é erroneamente usada e manejada para fortalecer o erro, cumpre-nos enfrentar esse perigo sem hesitação. Devemos “reverenciar a Palavra, mas não as distorções que se fazem dela para fundamentar o engano.”[65] A citação usada por Ratzlaff só começa vários parágrafos depois. Há harmonia entre as declarações acima e as outras mensagens de Ellen White sobre as acusações de Ballenger: “Exponham a verdade bíblica em nossas revistas. Apresentem as razões de nossa fé. Por meio de artigos cheios de ânimo, esperança e encorajamento, recomendem a diligente pesquisa das Escrituras.”[66] Ellen White reforçou esse ponto de vista quando acrescentou: “Os porta-bandeiras que tombaram na morte devem falar mediante a reimpressão de seus escritos. Estou instruída de que, assim, sua voz se deve fazer ouvir. Eles devem dar seu testemunho relativamente ao que constitui a verdade para este tempo.”[67] Ratzlaff destaca certos trechos dessas sentenças, mas ele parece ter ignorado o ponto fundamental da questão.[68]

Em maio desse mesmo ano, a Sra. White escreveu na Review and Herald que “Devemos repetir as palavras dos pioneiros em nossa obra, que sabiam o custo de buscar a verdade como a tesouros escondidos e que labutaram para estabelecer os fundamentos da obra […] A palavra que me foi dada é: Seja reproduzido tudo o que esses homens escreveram no passado.”[69]

O que ela está fazendo nessas declarações? De forma clara, ela está pedindo que a produção exegética dos pioneiros sobre a doutrina do santuário seja reimpressa para o estudo. Paul Gordon confirmou isso em seu livro The Sanctuary, 1844, and the Pioneers.[70] Motivado pelo pedido de Ellen White à Igreja para que se republicasse os escritos dos pioneiros, Gordon reuniu aproximadamente quatrocentos artigos sobre a mensagem do juízo no santuário publicados na The Present Truth e na Review and Herald entre 1846 e 1905. Ele constatou que todos esses artigos estavam fundamentados em estudos bíblicos detalhados e em um método cuidadoso de exegese. Em minha própria leitura desse documento de mil e nove páginas,[71] não encontrei nenhum exemplo sequer em que os autores desses artigos usaram Ellen White como fonte de autoridade. A Bíblia foi a autoridade final do início ao fim. Isto era o que Ellen White queria quando pediu que os porta-bandeiras falassem mediante a reimpressão de seus escritos.

Embora não possamos negar que Ellen White tenha recorrido a sua autoridade profética na crise trazida por Ballenger, também não se pode negar que ela apelou para estudos bíblicos anteriores como embasamento para o juízo de 1844. Ela agiu com base na compreensão já moldada pela evidência bíblica estabelecida nos periódicos adventistas nos últimos cinquenta anos. Seu papel era lembrar ao povo que o testemunho do Espírito Santo havia estabelecido a verdade sobre a ”passagem do tempo em 1844” e pedir pela reimpressão de todos os artigos que apresentavam os dados bíblicos. À luz desses fatos, suas declarações a Ballenger destacadas por Ratzlaff não ameaçam o testemunho da Escritura ou violam o princípio protestante da “Bíblia e a Bíblia só.” Seja lá o que se escolha acreditar sobre o juízo de 1844, o fato de que os pioneiros adventistas do sétimo dia recorreram somente à Bíblia em busca de evidências dessa doutrina é difícil de negar diante de uma comprovação tão minuciosa e bem documentada.

Outros exemplos da história adventista poderiam ser citados quanto aos apelos de Ellen White às Escrituras – como o debate acerca da lei em Gálatas e a controvérsia sobre o “diário”[72] mencionado na seção profética do livro de Daniel. Mas a problemática envolvendo Ballenger demonstra que, mesmo quando Ellen White reivindicou sua autoridade profética, ela não negou o caráter definitivo da Bíblia em todas as questões sobre doutrina e ensino.

Qual o valor de Ellen White para os adventistas no tocante à doutrina? Em primeiro lugar, ela funcionou como uma autoridade corretiva para os pioneiros adventistas na medida em que falava autoritativamente contra ensinos heréticos. Por exemplo, ela impediu que os pioneiros abraçassem ideias errôneas sobre o serviço da Comunhão, condenou o ensino da “carne santa” que estava circulando em Indiana no fim do século dezenove, e, no início do século vinte, pôs fim a um tipo peculiar de panteísmo de John Harvey Kellog. É nesse sentido que Ellen White comentou: “Há uma corrente de verdade retilínea, sem uma só frase herética, naquilo que escrevi.”[73] Ela colocou os pioneiros de volta nos trilhos doutrinários corretos quanto ao ensino bíblico essencial desses assuntos.

Em segundo lugar, ela funcionou como uma autoridade quanto ao arcabouço teológico (cosmovisão) das doutrinas adventistas do sétimo dia. Isto é, ela explicou as doutrinas no contexto do grande conflito – um tema claramente ensinado nas Escrituras. Assim como Lutero, Calvino e Wesley produziram o modelo teológico no qual seus respectivos movimentos cresceram mediante o trabalho de cada um deles, de igual forma Deus, por meio de Ellen White, proporcionou a conjuntura teológica para a visão de mundo adventista. Isso não significa, entretanto, que ela seja a fonte ou quem sozinha desenvolveu a doutrina adventista. Ela serviu mais como uma bússola que apontou o caminho para a ortodoxia doutrinária. Em outras palavras, sua contribuição foi de natureza formativa, em vez de normativa, no desenvolvimento da doutrina adventista. Desse modo, por meio da orientação dada a Ellen White, o processo de formação e aperfeiçoamento doutrinário ocorrido nas primeiras décadas da Igreja Adventista do Sétimo Dia baseou-se diretamente na plataforma normativa das Escrituras.

Até aqui neste capítulo, analisei a autoridade de Ellen White no que se refere ao cânon, a autoridade religiosa, e à doutrina. Daqui em diante, abordarei a questão das duas autoridades em relação às Crenças Fundamentais 1 e 18.

 

O Significado das Crenças Fundamentais 1 e 18

 

Ao promover a ideia de que os Adventistas do Sétimo Dia possuem duas autoridades de mesmo valor, alguns críticos argumentam que as mudanças feitas em 1980 na redação de duas crenças fundamentais adventistas do sétimo dia elevaram o status da autoridade de Ellen White em relação ao que era antes. O argumento se articula da seguinte forma:

“A redação da Crença Fundamental concernente às Escrituras Sagradas foi alterada de ‘… uma revelação toda-suficiente de Sua vontade para homens e mulheres e são a única regra infalível de fé e prática,’ para ‘… são a revelação infalível de Sua vontade e o revelador definitivo de doutrinas …’. A redação da Crença Fundamental referente ao Espírito de Profecia foi modificada de ‘… este dom se manifestou na vida e ministério de Ellen White’ para ‘Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e autoritativa fonte de verdade …’ É evidente que essas revisões nas Crenças Fundamentais elevaram os escritos de Ellen White a um status autoritativo equivalente ao da Bíblia, a qual não é mais a ‘única e infalível’ e ‘toda-suficiente’ regra de fé e prática.”[74]

A fraqueza desse argumento é óbvia a partir dos fatos. Primeiro, os Adventistas do Sétimo Dia confirmaram, de uma forma oficial e insistente, sua crença no dom profético de Ellen White ao longo dos anos, reconhecendo seus escritos como possuindo autoridade para a igreja. Como já demonstrado neste capítulo, no entanto, eles nunca conceberam, de uma maneira oficial, sua autoridade como da mesma categoria que a da Bíblia. Segundo, a mudança nas duas Crenças Fundamentais sob consideração na Conferência Geral de 1980 apenas forneceu um maior esclarecimento com relação ao que os Adventistas do Sétimo Dia sempre creram sobre a Bíblia e o ministério profético de Ellen White. Terceiro, embora o texto da Crença Fundamental 18 – de que os escritos de Ellen White são uma “contínua e autoritativa fonte de verdade” – não signifique que esses escritos estão no mesmo nível de autoridade da Bíblia, ele significa que os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que Deus falou por meio de Ellen White como uma profetisa pós-canônica, e sua voz deve ser ouvida pela igreja exatamente como os profetas não canônicos foram ouvidos durante os tempos bíblicos. Essa posição de forma alguma compromete a natureza “toda-suficiente” da Escritura.

O que a maioria dos críticos não reconhece, ou se recusam a reconhecer, é o esclarecimento da igreja sobre essas mudanças nas Crenças Fundamentais 1 e 18 dois anos após que as mudanças foram feitas. Um documento intitulado “A Compreensão da Igreja Adventista do Sétimo Dia Sobre a Autoridade de Ellen White” foi publicado em 1982, e apresenta a posição da igreja sobre a relação dos escritos de Ellen White com a Bíblia. Ele expõe com clareza o significado da redação das Crenças Fundamentais 1 e 18. Em razão da importância desse documento, ele será reproduzido em sua totalidade logo abaixo:

“Em resposta a pedidos, uma declaração sobre a relação dos escritos de Ellen G. White com a Bíblia foi preparada inicialmente por um comitê ad hoc (para este fim específico) da Associação Geral. A declaração foi publicada na Adventist Review de 15 de julho de 1982 e na edição de agosto de 1982 da revista Ministry com um convite para os leitores darem sua opinião. As sugestões de leitores e de vários grupos levaram a um aperfeiçoamento da declaração até o seu presente formato. Embora ela não seja uma declaração votada, acreditamos que a participação mundial em seu aperfeiçoamento a torna um reflexo das opiniões da igreja sobre o tópico a que ela se aplica. – Instituto de Pesquisa Bíblica.

Na Declaração das Crenças Fundamentais votada pela Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia em Dallas em abril de 1980, o prefácio afirma: “Os Adventistas do Sétimo Dia aceitam a Bíblia como seu único credo e mantêm algumas crenças fundamentais como sendo o ensino das Escrituras Sagradas.” O parágrafo um reflete o entendimento sobre inspiração e autoridade das Escrituras, enquanto o parágrafo dezoito reflete o entendimento da igreja sobre os escritos de Ellen White em relação às Escrituras. Estes parágrafos dizem o seguinte:

 

As Escrituras Sagradas

As Escrituras Sagradas, o Antigo e o Novo Testamento, são a Palavra de Deus escrita, dada por inspiração divina por intermédio de santos homens de Deus que falaram e escreveram ao serem movidos pelo Espírito Santo. Nesta Palavra, Deus transmitiu ao homem o conhecimento necessário para a salvação. As Escrituras Sagradas são a infalível revelação de Sua vontade. Constituem o padrão de caráter, o prova da experiência, o autorizado revelador de doutrinas, e o registro fidedigno dos atos de Deus na História. Encontramos apoio para esta afirmação nas seguintes passagens bíblicas: II Ped. 1:20,21; II Tim. 3:16,17; Sal. 119:105; Prov. 30:5,6; Isa. 8:20; João 17:17; I Tess. 2:13; Heb. 4:12.

 

O Dom de Profecia

Um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Este dom é uma característica da Igreja remanescente e foi manifestado no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e autorizada fonte de verdade e proporcionam conforto, orientação, instrução e correção à Igreja. Eles também tornam claro que a Bíblia é a norma pela qual deve ser aprovado todo ensino e experiência. Encontramos apoio para esta afirmação nas seguintes passagens bíblicas: Joel 2:28,29; Atos 2:14-21; Hebreus 1:1-3; Apocalipse 12:17; Apocalipse 19:10.

 

As seguintes afirmações e negações tratam de questões levantadas a respeito da inspiração e autoridade dos escritos de Ellen White e sua relação com a Bíblia. Estes esclarecimentos devem ser vistos como um todo. São uma tentativa de expressar o entendimento atual dos adventistas do sétimo dia. Eles não devem ser interpretados como um substituto das duas declarações doutrinárias citadas acima, nem como sendo parte delas.

Afirmações

  1. Cremos que as Escrituras são a Palavra divinamente revelada de Deus e são inspiradas pelo Espírito Santo.
  2. Cremos que o cânon da Escritura é composto somente dos sessenta e seis livros do Antigo e Novo Testamentos.
  3. Cremos que as Escrituras são o fundamento da fé e a autoridade final em todos os assuntos de doutrina e prática.
  4. Cremos que a Escrituras são a Palavra de Deus em linguagem humana.
  5. Cremos que as Escrituras ensinam que o dom de profecia será manifestado na igreja cristã após o período do Novo Testamento.
  6. Cremos que o ministério e os escritos de Ellen White foram uma manifestação do dom de profecia.
  7. Cremos que Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo e que seus escritos, frutos dessa inspiração, são aplicáveis e autoritativos, especialmente para os adventistas do sétimo dia.
  8. Cremos que os propósitos dos escritos de Ellen White incluem orientação na compreensão dos ensinos das Escrituras e na aplicação destes ensinos, com urgência profética, à vida espiritual e moral.
  9. Cremos que a aceitação do dom profético de Ellen White é importante para a nutrição espiritual e a unidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
  10. Cremos que o uso que Ellen White fez de fontes e assistentes literários encontra paralelo em alguns dos autores da Bíblia.

Negações

  1. Não cremos que a qualidade ou grau de inspiração nos escritos de Ellen White seja diferente do da Escritura.
  2. Não cremos que os escritos de Ellen White sejam um acréscimo ao cânon da Escritura Sagrada.
  3. Não cremos que os escritos de Ellen White funcionem como o fundamento e a autoridade final da fé cristã, como a Bíblia funciona.
  4. Não cremos que os escritos de Ellen White possam ser usados como a base da doutrina.
  5. Não cremos que o estudo dos escritos de Ellen White possa ser usado para substituir o estudo das Escrituras Sagradas.
  6. Não cremos que as Escrituras só podem ser compreendidas por meio dos escritos de Ellen White.
  7. Não cremos que os escritos de Ellen White esgotem o significado das Escrituras.
  8. Não cremos que os escritos de Ellen White sejam essenciais para a proclamação das verdades das Escrituras para a sociedade em geral.
  9. Não cremos que os escritos de Ellen White sejam o produto de mera piedade cristã.
  10. Não cremos que o uso de fontes e assistentes literários por parte de Ellen White negue a inspiração de seus escritos.

 

Portanto, concluímos que o correto entendimento da inspiração e autoridade dos escritos de Ellen White evitará dois extremos: (1) considerar que estes escritos funcionem no mesmo nível canônico das Escrituras, ou (2) considerá-los como uma literatura cristã comum.[75]

Sim, em certo sentido, os Adventistas do Sétimo Dia possuem duas autoridades. Mas uma é subordinada à outra; uma deriva sua autoridade da outra. A autoridade profética de Ellen White está, portanto, sujeita a limites por causa de sua relação com a Bíblia. Seu dom profético é pós-canônico e funciona como um indicador que aponta na direção da Bíblia como a fonte máxima de autoridade para a vida e a doutrina cristã.

Conclusão

No dia 13 de agosto de 1888, D. M. Canright escreveu a introdução da primeira edição de seu livro Seventh-day Adventist Renounced.[76] Nele, o autor argumentou que os adventistas possuem “outra Bíblia” e “nossa velha Bíblia” agora deve ser lida “à luz dessa nova Bíblia.”[77] É importante mencionar que oito dias antes de Canright escrever essa introdução, Ellen White escreveu uma carta para todos os líderes da igreja que compareceriam à próxima sessão da Associação Geral no outono. Nessa carta, considerada uma importante declaração concernente à iminente sessão da Associação Geral em Mineápolis,[78] ela apelou aos “irmãos” para que “pesquisassem as Escrituras cuidadosamente para discernir o que é a verdade.” Que a Bíblia “fale por si mesma, que ela seja sua própria intérprete, e a verdade brilhará como jóias preciosas em meio aos escombros.” Exaltando a Bíblia para seus leitores, ela declarou: “A Palavra de Deus é a grande detectora do erro; cremos que tudo deve ser levado a ela. A Bíblia deve ser nosso padrão para toda doutrina e pregação. Aqui está “a divina autoridade, que é suprema em questões de fé.”[79]

Ou Canright estava totalmente fora da realidade quanto à verdadeira Ellen White ou se recusou a reconhecer que ela exaltava a Bíblia acima de seus escritos e que a considerou “suprema em questões de fé.” É evidente que ele estava extremamente equivocado sobre a relação de Ellen White com a Bíblia, assim como estão muitos detratores hoje.


[1] O conteúdo desse artigo corresponde à tradução do capítulo oito da obra “Ellen White Under Fire: Identifying the Mistakes of Her Critics, de Jud Lake (Nampa, ID: Pacific Press, 2010). O título original do capítulo é “Authority, Part 2: Dual Authorities”.

[2] Dennis L. Palmer, “Whose Authority Shall We Follow?” Proclamation! (Setembro–Dezembro, 2003), 20, 21. Embora esse artigo certamente tenha problemas, ele ajuda no sentido de trazer a questão das “duas autoridades”, uma questão sobre a qual todos os adventistas devem estar cientes e precisam saber como explicar.

[3] Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, 1:23.

[4] E. G. White, Mensagens Escolhidas, 3:30.

[5] E. G. White, Testemunhos para a Igreja, 5:64.

[6] Ibid., 5:98.

[7] E. G. White, Mensagens Escolhidas, 1:48.

[8] E. G. White, Testemunhos para a Igreja, 5:661.

[9] Palmer, 22.

[10] D. M. Canright, Life of Mrs. E. G. White, Seventh-day Adventist Prophet: Her False Claim Refuted (Cincinnati: Standard Publishing, 1919; republished, Salt Lake City: Grant Shurtlif 1998), 18.

[11] Dale Ratzlaff, Truth About Adventist “Truth, 2nd rev. ed. (Glendale, Ariz.: LAM Publications 2007), 15.

[12] Russell Earl Kelly, Exposing Seventh-day Adventism (New York: iUniverse, Inc., 2005), 11. Atualmente, alguns adventistas do sétimo dia argumentam, de forma equivocada, que a autoridade de Ellen White é igual a da Bíblia. Mas como será mostrado adiante neste capítulo, esta nunca foi a posição oficial da igreja.

[13] Norman F. Douty, Another Look at Seventh-day Adventism (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House, 1962), 22.

[14] Para uma análise sobre o significado e formação do cânon bíblico, veja Gerald A. Klingbeil “The Text and the Canon of Scripture,” em Understanding Scripture: An Adventist Approach, George W. Reid, ed. Biblical Research Institute Studies (Silver Spring, Md.: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventists, 2006), 91–110; G. L. Robinson, “Canon of the OT,” em The International Standard Bible Encyclopedia, rev. ed., Geoffrey W. Bromiley, ed. (Grand Rapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans, 1979), 1:591, 592; John McRay, “Canon of th Bible,” em Evangelical Dictionary of Biblical Theology, Walter A. Elwell, ed. (Grand Rapids, Mich.: Baker Books, 1996), 58–60, 155, 156; David G. Dunbar, “The Biblical Canon,” em Hermeneutics, Authority, and Canon, rev. ed., D. A. Carson and John D. Woodbridge, eds. (Grand Rapids, Mich.: Baker Books, 1995), 299–360; F. F. Bruce, The Canon of Scripture (Leicester and Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 1988); Bruce M. Metzger, The Canon of the New Testament: Its Origin, Development, and Significance (New York: Oxford University Press, 1987). Para um estudo útil em linguagem não técnica, veja Neil R. Lightfoot, How We Got the Bible, 3rd ed. (Grand Rapids, Mich.: Baker Books, 2003).

[15] Para uma lista mais completa, embora não exaustiva, veja Seventh-day Adventists Believe: An Exposition of the Fundamental Beliefs of the Seventh-day Adventist Church, 2nd ed. (Silver Spring, Md.: Ministerial Association, General Conference of  Seventh-day  Adventists, 2005) 253. Para discussões perspicazes sobre profetas não canônicos, veja os seguintes estudos e suas respectivas bibliografias: Willem A. Vangemeren, Interpreting the Prophetic Word (Grand Rapids, Mich.: Zondervan Publishing House, 1990), 18–103; K. Moller, “Prophets and Prophecy,” em Dictionary of the Old Testament Historical Books, Bill T. Arnold e G. G. M. Williamson, eds. (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 2005), 825–829; G. F. Hawthorne, “Prophets, Prophecy,” em Dictionary of Jesus and the Gospels, Joel B. Green, Scot McKnight, e I. Howard Marshal eds. (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 1992), 636–642; C. M. Robeck Jr., “Prophecy Prophesying,” em Dictionary of Paul and His Letters, Gerald F. Hawthorne, Ralph P. Martin, e Daniel G. Reid, eds. (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 1993), 755–762; e K. N. Gile “Prophecy, Prophets, False Prophets,” em Dictionary of the Later New Testament and Its Developments, Ralph P. Martin e Peter H. Davids, eds. (Downers Grove, Ill.: InterVarsit Press, 1997), 970–973.

[16] No Novo Testamento, observe como Lucas descreve o Espírito Santo falando por meio dos profetas, como no caso de Ágabo em Atos 21:11. A profecia de Ágabo referente a Paulo claramente se cumpriu: Paulo é agarrado pelos judeus (At 21:30–33) e entregue nas mãos dos gentios (At 23 e 28:17). Ágabo não menciona a forma como Paulo será entregue nas mãos dos gentios, apenas diz que isso ocorrerá.

[17] Gerhard Pfandl, The Gift of Prophecy: The Role of Ellen White in God’s Remnant Church
(Nampa, Idaho: Pacific Press®, 2008), 75.

[18] Veja Eric Livingston, “Inquire of the Lord,” Ministry (April 1981): 4–6. Para um detalhado tratamento sobre Hulda em relação à Ellen White, veja também Herbert Douglass, Messenger of the Lord (Nampa, Idaho: Pacific Press®, 1998), 17–19; e A. G. Daniells, The Abiding Gift of Prophecy (Mountain View, Calif.: Pacific Press®, 1936), 36–172.

[19] Livingston, 6. Concordo com esse autor na ideia de que “Há um paralelo entre Ellen White e Hulda, a profetisa.”

[20] O contexto dessa passagem especificamente proíbe acrescentar ou retirar palavras das profecias do livro do Apocalipse. Porém, ao longo dos séculos, os cristãos aplicaram esse princípio a todos os livros do cânon bíblico.

[21] O Cristianismo evangélico está dividido nessa questão, com pontos de vista que variam da posição cessacionista (todos os dons miraculosos do Espírito Santo cessaram desde a era apostólica) à posição carismática (todos os dons miraculosos do Espírito Santo estão em operação hoje). Um estudo bastante proveitoso em que se compara os diferentes pontos de vista sobre esse assunto encontra-se em Wayne Grudem, ed., Are Miraculous Gifts for Today? Four Views (Grand Rapids, Mich.: Zondervan, 1996). Com base em evidências bíblicas, os adventistas defendem que os dons espirituais do Espírito Santo estarão presentes na igreja até a volta de Jesus, mas questionam as alegações de algumas pessoas com relação a esses dons nos dias de hoje. Veja George Rice, “Spiritual Gifts,”em Handbook of Seventh-day Adventist Theology, Raoul Dederen, ed. (Hagerstown, Md.: Review and Herald® 2000), 613–620.

[22] Para mais detalhes sobre o que a Bíblia ensina quanto à continuidade dos dons espirituais, T. Housel Jemison, A Prophet Among You (Mountain View, Calif.: Pacific Press, 1955), 135–146.

[23] Dale Ratzlaff, “The Christ Event and the Spirit of Prophecy,” Proclamation! Março–Abril 2007, 16–19.

[24] As evidências indicam que “testemunho de Jesus” está no genitivo subjetivo no grego, significando que o testemunho é uma mensagem profética dada por Jesus, e não o testemunho de uma pessoa a respeito dEle (genitivo objetivo). Para consultar evidências linguísticas, veja Gerhard  Pfandl, “The  Remnant  Church  and  the  Spirit of Prophecy,” Symposium on Revelation, Daniel and Revelation Committee Series, Frank B Holbrook, ed. (Silver Spring, Md.: Biblical Research Institute, 1992), 7:305–315; Pfandl, “The Testimony of Jesus,” artigo não publicado apresentado na Conferência Bíblica Internacional na Turquia, em julho de 2006.

[25] Robert L. Saucy, “An Open but Cautious View,” em Grudem, 128.

[26] Para um útil comentário sobre essa passagem, veja F. F. Bruce, 1 and 2 Thessalonians, Word Biblical Commentary, vol. 45 (Waco, Tex.: Word, 1982), 121–127.

[27] Um outro ponto importante para o contexto de 1 Tessalonicenses 5:19-22 é se esse verso envolve níveis de profecia ou profetas verdadeiros versus profetas falsos. Alguns interpretam que o sentido dessa passagem é que Paulo aconselha os crentes a discernir que parte da mensagem do profeta é verdadeira e que parte dela é falsa – como se o profeta do Novo Testamento ou o profeta pós-canônico pudesse emitir um misto de mensagens falsas e verdadeiras. O erudito evangélico Wayne Grudem é o mais conhecido defensor dessa concepção, como se pode ver na obra The Gift of Prophecy in the New Testament and Today, rev. ed. (Wheaton, Ill.: Crossway Books, 2000). Graeme S. Bradford, More Than a Prophet (Berrien Springs, Mich.: Biblical Perspectives, 2006), apresenta uma adaptação adventista dessa ideia. Mas em parte alguma no contexto de 1 Tessalonicenses 5— aliás, em parte alguma do Novo Testamento—há fundamento para essa tese. Pelo fato de a Escritura reconhecer a plena inspiração de todas as manifestações do dom profético, o teste não é entre a verdade e o erro na mensagem de um profeta, mas entre profetas verdadeiros e profetas falsos. Veja Saucy, 127, 128; Gerhard Pfandl, “Ellen White and Modern Prophets,” na obra a ser lançada Ellen White Issues, Merlin Burt, ed.; e as referências na nota 14 acima.

[28] Para mais reflexões sobre testes bíblicos com o fim de definir um profeta verdadeiro, veja Douglass, 28–32; Rice, 629–631; e Saucy, 146–148.

[29] Saucy, 70.

[30] Frank Holbrook, “The Biblical Basis for a Modern Prophet”; veja http://www.adventistbiblicalresearch.org.

[31] Uma leitura pertinente que complementará essa seção é a análise de Gerhard Pfandl sobre a autoridade dos profetas em The Gift of Prophecy: The Role of Ellen White in God’s Remnant Church, 73–80.

[32] Bernard Ramm, The Pattern of Religious Authority (Grand Rapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans 1959.)

[33] Ibid., 10.

[34] Ibid., 20, 21.

[35] Ibid., 11.

[36] Ibid., 26, 27.

[37] Ibid., 12.

[38] Ibid., 21–23.

[39] Veja Kwabena Donkor, “The Authority of Ellen White’s Writings,” na obra Ellen White Issues ainda a ser publicada.

[40] Ramm, 38.

[41] O tratamento de Ramm acerca da recepção pessoal da autoridade na religião cristã merece ser estudada, mas está além do escopo deste capítulo. Veja Ramm, 40–44.

[42] Millard J. Erickson, Christian Theology, 2nd ed. (Grand Rapids, Mich.: Baker Books, 1998) 277. Ramm analisa esse conceito de autoridade e o chama de “o princípio Protestante.” Ele diz: “Há um princípio externo (a Escritura inspirada) e um princípio interno (o testemunho do Espírito Santo),” e prossegue afirmando que este “é o princípio de uma revelação divina objetiva, aliado a um testemunho divino interior,” 29. Para um estudo adicional, veja Ramm 28–33; veja também Ramm, The Witness of the Spirit: An Essay on the Contemporary Relevance of the Internal Witness of the Holy Spirit (Grand Rapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans, 1959).

[43] Em certo sentido, quanto mais um cristão estuda a Bíblia com a iluminação do Espírito Santo e harmoniza sua vida com o ensino da Escritura, mais ele obterá autoridade por veracidade e autoridade delegada. Contudo, independente de quanto ele venha a desfrutar desses dois tipos de autoridade, ele nunca estará no mesmo nível de autoridade por veracidade e delegada dos profetas, que tomaram parte na revelação que produziu as Escrituras. Veja o estudo de Pfandl sobre a autoridade pastoral versus autoridade profética, 78,79.

[44] O artigo de Donkor contribuiu para minha reflexão sobre esse tipo de autoridade.

[45] Ellen White para Edson and Willie White, 2 de Dezembro, 1902; Carta 186, 1902; Manuscript Releases (Silver Spring, Md.: E. G. White Estate, 1993), 17:63.

[46] E. G. White, Carta 69, 1896; Mensagens Escolhidas, 3:30.

[47] J. N. Andrews, “Our Use of the Visions of Sr. White,” Review and Herald, 15 de fevereiro, 1870, 65. O Apêndice C contém o artigo completo.

[48] Veja Ángel Manuel Rodríguez, “Ellen White’s Inaugural  Vision: Prophetic Call, Commission, and Role,” Ellen White and Current Issues Symposium, vol. 4 (Berrien Springs, Mich.: Center for Adventist Research Andrews University), 61–82. Rodriguez acredita que Ellen White fornece uma interpretação teológica da história do Cristianismo dentro do contexto mais amplo do tema do Grande Conflito. À medida que nos aproximamos do desfecho do conflito cósmico, devemos, portanto, esperar ver no mundo cristão um crescente interesse em seu ministério. “Para isso, seria necessário,” afirma Rodriguez, “que nossos amigos cristãos dessem a Ellen White uma justa oportunidade de ser ouvida por ela mesma e não mediante a voz de seus críticos,” 75. Já se tem atualmente, escrito pelo evangélico Gregory A. Boyd, várias obras amplamente lidas sobre o tema do conflito cósmico, tais como God at War: The Bible and Spiritual Conflict (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 1997); e Satan and the Problem of Evil: Constructing a Trinitarian Warfare Theodicy (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 2001).

[49] Holbrook; veja em: http://www.adventistbiblicalresearch.org.

[50] Veja Merlin Burt, “Ellen White and Sola Scriptura”; em http://www.adventistbiblicalresearch.org.

[51] Holbrook; veja em http://www.adventistbiblicalresearch.org.

[52] Veja, por exemplo, a tese doutoral de Roy Graham, publicada com o título Ellen G. White: Co-founder of the Seventh-day Adventist Church (New York: Peter Lang, 1985); e Herbert Douglass, Messenger of the Lord: The Prophetic Ministry of Ellen G. White (Nampa, Idaho: Pacific Press®, 1998).

[53] George I. Butler, “The Visions: How They Are Held Among Seventh-day Adventists,” Review and Herald Supplement, 14 de agosto, 1883, 12.

[54] E. G. White, O Colportor Evangelista, 125.

[55] E. G. White, Mensagens Escolhidas, 3:31, 32.

[56] Douglass, 171.

[57] Tiago White, A Word to the Little Flock, p. 14

[58] Para análises detalhadas sobre o papel do estudo bíblico e das visões de Ellen White no início do desenvolvimento doutrinário adventista, veja George Knight, A Brief History of Seventh-day Adventists, 2nd ed. (Hagerstown, Md.: Review and Herald, 2004), 28–50; Knight, A Search for Identity: The Development of Seventh-day Adventist Beliefs (Hagerstown, Md.: Review and Herald, 2000) 55–89; Richard W. Schwarz e Floyd Greenleaf, Light Bearers: A History of the Seventh-day Adventist Church (Nampa, Idaho: Pacific Press®, 2000), 64–67; e Douglass, 170–172.

[59] Veja Denis Fortin, “Ellen G. White and the Development of Seventh-day Adventist Doctrines, na obra Ellen White Issues, Merlin Burt, ed. ainda a ser lançada.

[60] Veja Calvin W. Edwards e Gary Land, Seeker After Light: A. F. Ballenger, Adventism, and American Christianity (Berrien Springs, Mich.: Andrews University Press, 2000) para um relato detalhado da vida e obra de Ballenger.

[61] Para um panorama das declarações de Ellen White sobre Ballenger, veja Arthur L. White, Ellen G. White, vol. 5, The Early Elmshaven Years (Washington, D.C.: Review and Herald, 1981), 404–413 e especialmente, os comentários de Ellen White em “The Integrity of the Sanctuary Truth,” Manuscript Releases, no. 760, Ellen G. White Estate, disponível no Ellen G. White Writings Comprehensive Research Edition CD-ROM (Silver Spring, Md.: Ellen G. White Estate).

[62] Dale Ratzlaff, Truth About Adventist “Truth,” 2nd rev. ed. (Glendale, Ariz.: LAM Publications 2007), 19, 20.

[63] Ibid., 18, 19. Estou citando a partir da carta original; veja Ellen White, “The Integrity of the Sanctuar Truth,” 15–20.

[64] Ibid., 19, 20.

[65] E. G. White, “The Integrity of the Sanctuary Truth,” 16.

[66] Ibid., 24.

[67] Ibid., 19.

[68] Ratzlaff, 19.

[69] E. G. White, “The Word for This Time: Address by Mrs. E. G. White Before the Conference Tuesday Afternoon, 16 de Maio,” Review and Herald, 25 de Maio, 1905, 17.

[70] Paul A. Gordon, The Sanctuary, 1844, and the Pioneers (Silver Spring, Md.: Ministerial Association, General Conference of Seventh-day Adventists, 2000); originalmente publicado em 1983 pela Review and Herald.

[71] Gordon, Pioneer Articles on the Sanctuary, Daniel 8:14, the Judgment, 2300 Days, Year-Day Principle, Atonement: 1846–1905 (Silver Spring, Md.: Ellen G. White Estate, 1983).

[72] Sobre a lei em Gálatas, veja George Knight, Angry Saints (Hagerstown, Md.: Review and Herald®, 1989), 104–109; sobre o “diário,” veja Gilbert M. Valentine, W. W. Prescott: Forgotten Giant of Adventism’s Second Generation, 214–235; e Bert Haloviak, “In the Shadow of the Daily: Background and Aftermath of the 1919 Bible and History Teachers Conference” (artigo não publicado, 1979).

[73] E. G. White, Mensagens Escolhidas, 3:52; Carta 329, 1905.

[74] Richard Goyne, “A Word (or Two) From God,” Proclamation! (Setembro–Outubro 2004), 11, 12; veja também Kelly, Exposing Seventh-day Adventism, 8, 9.

[75] Disponível em  http://www.whiteestate.org/issues/scripsda.html.

[76] D. M. Canright, Seventh-day Adventism Renounced (Kalamazoo, Mich.: Kalamazoo Publishing Co., 1888), iii–v.

[77] Ibid., 43.

[78] George R. Knight, “Crisis in Authority,” Ministry, Fevereiro de 1991, 10

[79] Ellen White aos “irmãos que estarão reunidos na Associação Geral,” 5 de Agosto, 1888. Para ler todo o documento, veja o Ellen G. White Writings Comprehensive Research Edition CD-ROM.

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