Por Davi Caldas

Há uma reflexão interessante sobre a concepção de Deus como O Criador, na história dos povos. Segundo os estudos de autores como Willelm Schmmidt, Don Richardson, Ethel Nelson, entre outros, as religiões dos mais antigos povos e tribos possuíam a crença em um Deus Criador, superior e anterior a todos os outros. Mas, invariavelmente, esses povos e tribos foram deixando de lado o Deus Criador na medida em que preferiam outros deuses. Estes outros deuses estavam sempre associados às coisas criadas. Tornou-se comum nas culturas haver um deus-sol, um deus-lua, um deus dos mares, um deus da fertilidade, um deus da agricultura, um deus da guerra, um deus da morte e etc. Não obstante, na maioria das culturas a concepção de um Deus Criador permaneceu. Em “O Fator Melquisedeque”, Don Richardson seleciona algumas das histórias mais interessantes de tribos encontradas por missionários que demonstravam traços dessa crença primitiva no Deus Criador.

Isso nos diz muito. Como adventistas do sétimo dia, temos insistido sempre em dizer que o sábado é um memorial semanal para a humanidade; um memorial de que Deus é o Criador. Não há como santificar o dia de sábado sem que essa verdade salte aos olhos. Por que guardamos o sábado? “Porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou” (Êxodo 20:11). Na guarda verdadeira do sábado e na razão bíblica que oferecemos quando nos perguntam, Deus é relembrado como o Criador.

Curiosamente, na obra chamada “Vida e Ensinos”, página 86, Ellen White afirma: “Quando foram postos os fundamentos da Terra, também foi posto o fundamento do sábado. Foi-me mostrado que se o verdadeiro sábado houvesse sido guardado, jamais teria havido um incrédulo nem ateu. A observância do sábado teria preservado da idolatria o mundo”.

Faz todo o sentido! Se reparar bem, enquanto os judeus seguiram transgredindo o sábado, também seguiram caindo no pecado da idolatria. Apenas após o retorno do exílio babilônico, ao tomarem mais cuidado em guardar o sábado bíblico, a idolatria deixou de ser um problema nacional. Obviamente, Satanás procurou, então, levá-los para outro extremo, transformando a guarda do mandamento em algo legalista e distorcido. Jesus criticaria essa postura anos mais tarde. Mas note como a guarda do sábado muito provavelmente serviu para inculcar na mente do povo que Deus é o Criador e, portanto, não há ninguém que o sobreponha.

Talvez por essa razão a Bíblia se mostre tão preocupada em sempre enfatizar Deus como o Criador. Leia, por exemplo, as seguintes passagens: Gênesis 2:1-3; II Crônicas 2:11-12; Jonas 1:8-10; Salmo 115:15; Salmo 121:2; Salmo 124:8; Salmo 134:3; Salmo 146:5-6; Atos 4:24-27; Atos 14:15; Atos 17:23-24; Apocalipse 14:6-7. Interessante é que em cada uma dessas passagens, as palavras usadas são muito semelhantes às utilizadas em Êxodo 20:11. É como se, no fim das contas, todas elas fossem uma paráfrase do verso 11 de Êxodo 20.

O tempo passou, é verdade, e o ser humano já não é mais tão propenso a crer em deuses da natureza. A maioria das pessoas deseja crer em algo que, ao menos, tenha uma aparência racional. Isso, no entanto, não é problema para Satanás. Podemos não mais crer em seus deuses da natureza, mas continuamos a idolatrar divindades. O maior dos deuses que Satanás nos apresenta se chama “Eu”. E tem sido este o deus mais dificil de se vencer desde sempre. Outros deuses menores, que podem descender do “Eu”, são: o dinheiro, o trabalho, os títulos acadêmicos, o sexo, a cultura, a política, a ciência. Nada disso é ruim em si mesmo, mas torna-se mal quando se transformam em nosso panteão de divindades.

Contra todas essas divindades, o sábado permanece desde o início do mundo, desde antes de haver pecado, nos lembrando semanalmente que Deus é soberano sobre todas as coisas, nos dando o privilégio de parar tudo o que é ordinário para contemplá-lo e descansar um dia inteiro em sua presença. Que em cada sábado, você possa gozar deste descanso mais pleno, de maneira mais intensa e concentrada “Aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas” (Apocalipse 14:7).

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